Universidade Federal da Paraíba · Centro de Educação

Programa de Pós-Graduação em Educação — PPGE

Portfólio de
Aprendizagem

Disciplina Pesquisa Social · Profª Drª Edna Gusmão de Góes Brennand

Foto de Francisco Ribeiro dos Santos Júnior Francisco Ribeiro dos Santos Júnior Doutorando em Educação — PPGE/UFPB
João Pessoa – PB 2026

Nota de transparência: na construção deste portfólio digital, utilizei o auxílio da inteligência artificial Claude (Anthropic) para apoio na programação visual do site, na organização das fontes/referências e no entendimento de textos complexos durante a elaboração dos fichamentos. As leituras, análises e reflexões apresentadas são de minha autoria.

Quem pesquisa

Filho da educação pública

Minha trajetória é, antes de tudo, a história de um filho da educação pública. Foi nas instituições públicas que aprendi não apenas conteúdos, mas o valor do estudo como caminho de transformação. Cada etapa da minha formação carrega a marca dessas escolas e universidades que sustentaram meus sonhos e me deram as bases para chegar até aqui.

Francisco, ainda estudante, ao lado de um professor do IFPB 2012 – 2014

Técnico em Informática — IFPB

Primeiro contato estruturado com a tecnologia. No IFPB, o acesso à pesquisa científica via PIBIC-EM foi um divisor de águas: ainda jovem, o contato com o rigor da investigação despertou a vocação para a vida acadêmica. Com um professor do IFPB, em dia de chuva no campus.

2020

Graduação em Ciência da Computação — UFPB

O interesse foi além do código: entender como a computação poderia servir à educação. O TCC sobre Pensamento Computacional no Ensino Fundamental em cidades do Sertão Paraibano já sinalizava a vocação de unir tecnologia e ensino em contextos de vulnerabilidade.

2021 – 2023

Engenheiro e Arquiteto de Software Sênior — FAPESQ

Bolsista da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba, atuando no desenvolvimento de protótipos e na análise de dados para o mapeamento educacional — articulando rigor técnico e sensibilidade aos problemas da educação.

Francisco com colegas e professores em evento acadêmico do Mestrado 2023

Mestrado em Educação — UFPB

Dissertação “Tecnologias para o Mapeamento e Enfrentamento da Violência Escolar na Paraíba”, consolidando a tecnologia como aliada no combate às violências no ambiente educativo. Especialização em Supervisão e Orientação Educacional no mesmo período.

Francisco apresentando como Coordenador Pedagógico 2022 – 2025

Coordenador Pedagógico

Gestão educacional e implementação de estratégias voltadas ao desenvolvimento de competências e à autonomia dos estudantes, com foco em práticas pedagógicas inclusivas.

2025

Professor — SEECT / Programa Mulheres Mil

Formação de mulheres em situação de vulnerabilidade — reforçando a convicção de que a educação é instrumento de inclusão e dignidade. Docência iniciada no UNIPÊ, nos cursos de Ciência da Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Francisco Ribeiro dos Santos Júnior Em andamento

Doutorado em Educação — PPGE/UFPB

O ponto mais alto do percurso até aqui: usar a tecnologia a serviço de uma educação mais justa, capaz de enfrentar as violências e desigualdades que ainda marcam as escolas. Ser filho da educação pública é motivo de orgulho e compromisso.

Por que Pesquisa Social

Uma prática epistemológica, não uma coleção de técnicas

É no doutorado que se insere a disciplina de Pesquisa Social, a primeira do percurso no programa. Logo de início, ela reaproximou daquele encantamento com a pesquisa despertado no PIBIC-EM, agora com maior densidade teórica. Os debates deixaram claro que a pesquisa não se reduz à aplicação de técnicas, mas constitui uma prática epistemológica que exige rigor conceitual, sensibilidade ao contexto e responsabilidade ética com os sujeitos investigados.

A relevância desses debates está em fazer compreender os fundamentos do fazer investigativo. Discutir as diferentes abordagens da pesquisa social, a construção do objeto e a relação entre teoria e realidade foi essencial para qualificar o olhar como pesquisador. Esses referenciais dialogaram diretamente com os objetos de estudo, ajudando a amadurecer o desenho investigativo voltado ao mapeamento e à prevenção das violências escolares.

“Mais do que preparar para a academia, a disciplina ofereceu ferramentas para ler criticamente o mundo e desenvolver uma escuta mais atenta às vozes dos sujeitos.”

É imprescindível destacar o papel da professora, Dra. Edna Gusmão de Góes Brennand, na mediação desses debates. Sua condução cuidadosa articulou densidade teórica e escuta atenta, criando um ambiente em que os conceitos ganhavam sentido a partir das experiências de cada estudante — transformando leituras densas em discussões vivas e produtivas, aproximando a teoria da prática.

Uma dívida de gratidão

Percurso de Orientação

Francisco Ribeiro dos Santos Júnior com a Professora Drª Edna Gusmão de Góes Brennand Foto em breve
Com a Professora Drª Edna Gusmão de Góes Brennand

Há pessoas que atravessam mais de uma etapa da nossa formação e deixam marca em cada uma delas. A Professora Dra. Edna Gusmão de Góes Brennand é uma dessas pessoas na minha trajetória: foi minha orientadora no Mestrado em Educação, quando construímos juntos a dissertação sobre tecnologias para o mapeamento e enfrentamento da violência escolar na Paraíba, e agora, no Doutorado, segue mediando meus passos, tanto como orientadora e desta vez também como professora da disciplina de Pesquisa Social.

Sua trajetória de pesquisa, sólida, plural e atenta às urgências sociais da educação se traduz em uma orientação que nunca separa rigor teórico de escuta humana. "Precisa de apropriação teórica", "Já definiu sua tese?", "Tem que ler" e "Precisamos fazer pesquisas que não sejam comidas de rato" são frases que nos direcionam ao caminho de uma pesquisa com relevância.

Seu repertório teórico amplo dialoga com autores densos sem nunca perder de vista os sujeitos concretos da educação, e é exatamente essa combinação que transforma uma orientação em formação de verdade. Cada orientacao, uma explosão de ideias e insigths. Aprender com ela é sempre reencontrar aquele encantamento pela pesquisa despertado ainda no PIBIC-EM: a certeza de que produzir conhecimento é também um gesto de cuidado com quem pesquisa. Ser orientado, pela segunda vez, por alguém com essa experiência e essa generosidade é, sem exagero, um dos maiores privilégios desta caminhada acadêmica e muitas vezes ate quesiono se sou merecedor disso.

Parte I

Recursos Visuais — Vídeos, Documentários e Filmes

Três obras audiovisuais analisadas a partir da teoria do reconhecimento de Axel Honneth e da epistemologia da pesquisa social, conectando currículo, tecnologia e produção de conhecimento.

Apresentação oral

Seminário Apresentado na Disciplina

Slides utilizados na apresentação de seminário da disciplina Pesquisa Social, sobre a obra O Direito da Liberdade, de Axel Honneth — disponibilizados aqui para consulta.

Seminário — O Direito da Liberdade, Axel Honneth Verificando disponibilidade…

Parte II

Fichamentos de Leitura

Onze obras da filosofia, epistemologia e teoria social, fichadas com identificação, temática, trechos, conceitos, glossário e comentários. Use a busca ou os filtros por tema para explorar.

Pensando o percurso da tese...

Reconhecimento, visibilidade e a tese

Educação, aqui, não se reduz à sala de aula: é o trabalho de tornar visível o que estava invisível e de formar sujeitos capazes de ler criticamente a realidade.

1

Diagnóstico

Dados públicos sobre violências contra crianças e adolescentes permanecem fragmentados — a fragmentação não é acidente técnico, mas produz silêncios e invisibilidades.

2

Chave teórica — Honneth

Invisibilidade estatística é uma forma de não-reconhecimento: crianças cujas violações não se tornam visíveis não existem plenamente como sujeitos de direito para as políticas públicas.

3

Proposta

Um observatório de acesso aberto que integra as bases fragmentadas — dispositivo pedagógico de conscientização e leitura crítica da realidade.

4

Efeito pedagógico e político

Tornar o sofrimento privado em semântica coletiva — visível, nomeável, partilhável — condição para que o não-reconhecimento seja percebido, denunciado e enfrentado.

Ressalva de rigor: Honneth não escreveu sobre tecnologia, dados ou Sociedade 5.0 — a ponte é uma extensão interpretativa que transpõe a estrutura tripartite do reconhecimento e o conceito de desrespeito, núcleo de Luta por Reconhecimento.

Produção escrita · SISV 2026, Simpósio Interdisciplinar sobre Violências

A Ausência de Dados sobre Violências contra Crianças e Adolescentes como Déficit de Reconhecimento

Neste ensaio, investigamos a subnotificação e a ausência de dados sobre violências contra crianças e adolescentes no Brasil a partir da teoria do reconhecimento de Axel Honneth, com recorte no ambiente escolar. Sustentamos que a lacuna de registros não constitui mera falha técnica ou administrativa, mas expressão de um déficit de reconhecimento: se o dado é a forma institucionalizada de tornar uma experiência visível e juridicamente exigível, contar é reconhecer, e não contar é uma modalidade de desrespeito (Missachtung) que opera por omissão, negando na prática o estatuto de sujeito de direitos que o Estatuto da Criança e do Adolescente afirma desde 1990. Articulamos a tríade do reconhecimento e as formas de desrespeito de Luta por Reconhecimento ao aporte institucional de O Direito da Liberdade, em que a distinção entre possibilidade e realidade da liberdade permite ler a distância entre a lei e o dado, e mobilizamos os registros recentes do Sinan, do Disque 100 e dos Anuários do Fórum Brasileiro de Segurança Pública como material empírico da argumentação normativa. Concluímos que o monitoramento é imperativo ético antes de recurso técnico, e que a escola ocupa posição decisiva na conversão da experiência em registro.

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